Viaje dentro da Little Italy, no bairro que está sendo engolido pela Chinatown June 25 2016

Texto e fotos de Luca Marfé

Facebook: Luca Marfé Photography - Twitter: @marfeluca - Instagram: @lucamarfe

O verdadeiro ponto de partida é: o que resta da Little Italy? E o mais importante: o que resta dos verdadeiros italianos? O bairro histórico de Nova York, na verdade, foi "devorado" pela expansão do SoHo por um lado, e o dinheiro dos novos ricos da Chinatown do outro.

Os novos ricos, em particular, adquiriram muitas propriedades locais e diversificadas, ampliando significativamente os limites do seu território à custa da "Little Italy", que perdeu bastante espaço. Basta conversar com qualquer italiano dali para descobrir alguns dos problemas com as comunidades ao redor e como os italianos estão se sentido, de alguma forma, "invadidos". Mas voltando ao ponto de partida: então o que resta? Não há muito a dizer. Na verdade, há muito pouco. No entanto, esse pouco vale a pena ser vivido. A área é um quadrado "estranho" entre Broome, Lafayette, Bowery e Canal Street. E é na Canal Street, que você deve ir, se chegar de metrô (linhas 4, 6, J e Z).  Comece o passeio e desfrutando dos sinais escritos em italiano, a “street art” espalhada por todo lugar (tem grafite e muitas outras) e os jovens que trabalham em restaurantes, entre uma piada e outra, feita em dialeto, vão tentar convencer você e entrarem em seus restaurantes. No fundo, a Little Italy é tudo isso. Esse calor italiano que por um momento, não importa a distância, vai lhe dar a ilusão de estar na Itália.

Entre meus favoritos, Gennaro. Por quê? Bem, além de ter um menu variado e ser relativamente acessível, Gennaro é simplesmente um mito. Você vai encontrá-lo na parte de fora, com os braços cheios de tatuagens e um chapéu inconfundível em sua cabeça. E sim, ele vai ser um daqueles que fará de tudo para convencê-lo a se sentar em uma mesa em seu restaurante.

Uma das paradas históricas e culturais que não podem ser perdidas é o Italian American Museum. Localizado na 155 Mulberry Street, que é a principal rua do bairro. Não é um museu como o tradicional, mas é uma espécie de armazém cheio de relíquias, que permite você mergulhar na vida passada dos italianos nesta parte do mundo. Você precisará comprar um ingresso (US $ 7), mas se você ama o passado, esse passeio realmente vale a pena. E também, é bom pensar que esse "coração" italiano pode continuar a existir, graças a essas doações.

Para fechar, temos duas "pérolas", ambas um pouco fora da rota turística central mais visitada. O primeiro é delicioso, uma verdadeira joia: é a Elizabeth Street Gallery (209 Elizabeth St.), uma galeria a céu aberto, um jardim encantado, onde as pessoas se encontram para folhear um livro, compartilharem uma paixão pela yoga ou cultivar pequenos pedaços de terra disponíveis para as pessoas que apoiam o projeto. Ele não tem muito a ver com o patrimônio cultural italiano, mas está muito perto e não pode ser desperdiçado. Emocionante.

O segundo lugar é o mais importante, especialmente se você considerar as pessoas com bom gosto. Este é o restaurante Emilio’s Ballato, que pode ser alcançado a pé em poucos minutos, ele está no número 55 E na Hudson Street. Emilio é italiano e muito orgulhoso disso. Está a aqui há muito tempo e é uma verdadeira lenda no bairro.  Não só entre os italianos. Na verdade, ele é um amigo próximo da metade de Hollywood, e por este lugar já passou todo tipo de pessoa. Dê uma olhada nessas fotos, uma pequena exposição na parede, e você irá compreender. Quando se fala de comida, qualquer palavra seria supérflua. Eu, particularmente, experimentei as massas, e eu não vejo a hora de voltar a comer lá. Entende-se que os italianos da "velha escola" não gostam muito, mas ele insiste em dizer que é o melhor de todos nos Estados Unidos.