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Autenticamente Nova York

Dez lugares incomuns que eu amo em Nova York June 15 2016

 

  • Red Hook (Brooklyn)

Não só porque aqui viveu o grande escritor Lovecraft (e nasceu Al Capone), mas também pela vista fantástica que o lugar oferece. Daqui você pode olhar diretamente nos olhos da Estátua da Liberdade, observando toda a baía de Nova York.

  • Sylvia’s (Harlem)

O restaurante de cultura Sul Africana, Soul Kitchen, é visitado especialmente durante o almoço de semana, quando podemos ver a “vida real” daqueles que vem até aqui, a classe média afro americana. Experimente o frango frito.

    • Flushing Meadows Park (Queens)

    O parque é um dos maiores de Nova York, e nele esta localizada a enorme Unisphere, que representa o globo terrestre. O local é perfeito para um churrasco no fim de semana. No verão a fonte é aberta, e o espetáculo é incrível.

    • Cobble Hill (Brooklyn)

    Eu amo o brownstones, ruas arborizadas e longe da agitação de Manhattan. Bairro histórico do século XIX, onde nasceu a mãe de Winston Churchill.

    • Bushwick (Brooklyn)

    Os grafites da cidade, a juventude, os artistas, os itálos-americanos e as fábricas abandonadas. Isso é vida!

    • Socrate’s Park (Queens)

    Um parque com várias esculturas contemporâneas, você vai entrar em um mundo surreal. Ele está localizado em Astoria, no Queens.

     

    • Staten Island Boat Graveyard (Staten Island)

    Um lugar diferente, secreto, com vários navios abandonados no mar. Parece que aqui, estamos dentro de um mundo totalmente apocalíptico. 

    • Roosevelt Island Hospital (Roosevelt Island)

    Essas são as únicas "ruínas" remanescentes de Nova York. Um lugar "assombrado" pelos fantasmas do século XIX, aqui eram tratados os pacientes com varíola.

    • Brooklyn Vinegar Hill (Brooklyn)

    Um lugar fantástico, com uma vista espetacular de Manhattan. Com uma mistura de casas do século XIX, e grandes avenidas.

    • Green Wood Cemetery (Brooklyn)

    Em Nova York os cemitérios são parques! E esse do Brooklyn é incrível. Cinematográfico, com uma vista fantástica!


      Você já visitou o clube mais antigo de jazz do Harlem? June 14 2016

      Por: Mariagrazia De Luca

      deluca.marymary@gmail.com

      Foi no distante ano de 1969, quando Samuel Hargress, Jr., fundou o Paris Blues Jazz Club, nessa mesma rua, no número 2021 na Adam Clayton Powell, Jr. Blvd, entre a 121 e a 7th Avenue. Samuel Hargress, ou Sam, como todos os seus amigos e visitantes o chamavam, é uma verdadeira instituição aqui no bairro. Ele estava aqui na época dos protestos dos negros americanos no final dos anos 70, quando mataram Martin Luther King, e também presenciou os momentos mais difíceis da vizinhança quando era perigoso andar pelas ruas do Harlem, que fizeram com que os judeus e italianos, que vivam aqui na época, começassem a se mover mais para perto de downtown. Os custos dos imóveis nessa área eram muito baixos, por isso Sam comprou este restaurante e começou a promover o jazz, trazendo os grandes artistas que passaram a povoar o bairro da cidade. E é incrível, até hoje, nada mudou no Paris Blues. Sam está sempre lá, entretendo os visitantes e encontrando novos e velhos amigos. Um lugar que os leitores do Minha Viagem e os amantes do jazz de Nova York e definitivamente devem visitar.

      Sam faz parte da história do Harlem e da cidade de Nova York. Ele tem 78 anos e desde os 48 participa da gestão do “the Harlem’s oldest and only live jazz dive since 1969”.

      Pedi desculpas pelo meu ligeiro atraso, e Sam imediatamente começou a me contar sobre o seu bar. Logo emerge um profundo amor e orgulho deste lugar que já recebeu muitos músicos e fãs apaixonados pelo jazz.

      "Nós temos música ao vivo todas as noites, as sessões duram praticamente a noite toda, até mais ou menos quatro horas da manhã." Ele me contou isso com muito orgulho. "Hoje temos uma banda de 21 horas até 01 hora, depois outra até às 04 horas."

      Pergunto ao Sam quem são os músicos que tocam no Paris Blues e como as coisas mudaram nesses quarenta anos que bar funciona. "Alguns músicos dos velhos tempos ainda estão aqui, outros já se aposentaram, mas ocasionalmente vem nos visitar. Alguns rodam por ai, e de repente, voltam ao Harlem e claro, vem para o Paris Blues”.

      "Qual o musico mais importante de Jazz que já tocou aqui Sam?", Pergunto com a confiança que rapidamente se confirmou na conversa.

      "O personagem mais importante de jazz que já esteve aqui é meu vizinho! Waycliffe Gordon, (https://wycliffegordon.com) mora aqui nesta rua. Às vezes, ele vem aqui para Paris Blues e senta-se no bar, e depois junta-se uma das bandas que e começa a tocar seu trombone. Ele toca frequentemente no Lincoln Center, mas esta sempre aqui com a gente, somos amigos a quase uma vida inteira. "

      "Sam, como era o Harlem há 50 anos?", Eu não sou capaz de imaginar todas as mudanças que esse bairro sofreu durante as manifestações pelos direitos iguais dos afro-americanos, e no que ele se tornou hoje. Sam e seu clube foram testemunhas disso e de muito mais.

      "O bairro não era um lugar fácil de viver. O assassinato de Martin Luther King, as pessoas saindo às ruas para se expressar ... Eu vivo em Nova York há 55 anos. Eu nasci no Alabama, me alistei no exército e fiquei nele por um tempo. Meu irmão estava aqui, então eu pensei em vir morar com ele. Meu irmão me encontrou um emprego, neste mesmo local, mas aqui era totalmente diferente. Ele era administrado por judeus e não tinha música ao vivo. O Harlem, em seguida, começou a mudar rapidamente, e nem sempre para melhor. As pessoas vinham morar aqui porque era perigoso, então elas poderiam comprar casas mais baratas, e foi isso que eu fiz. Com o prefeito Giuliani as coisas começaram a melhorar. Ele conseguiu diminuir muito a criminalidade na cidade".

      Sam parece ver o lado positivo da "elitização" do bairro. O Harlem, em sua opinião, ainda é um lugar real, e, de fato, muito dinheiro se move aqui e isso é bom para os seus negócios.

      "Harlem é muito melhor hoje, com certeza ele nunca foi tão bom!” Para mim, essa “elitização” também significa que turistas de todo o mundo vêm aqui. 60% dos clientes atualmente são turistas. Em suma, essa “elitização” não me incomoda, porque isso significa mais dinheiro para mim.

      Sam explica que, apesar disso, o local é exatamente como era há 50 anos.

      "Eu sou do sul, certo? Ok, aqui conservamos os mesmos hábitos, como em Louisiana. Temos um free buffet e todos comem juntos ".

      Quando pergunto quais são seus planos para o futuro, um sorriso aparece, e ele me informa que daqui a 3 ou 4 anos o seu filho irá herdar o clube. "Meu filho vai lidar com isso pelos próximos 40 anos! Mas eu me preocupo, e vou tentar me manter por perto até quando eu aguentar”.

      "Sam", eu pergunto antes de me despedir, "Posso convidar os leitores do Minha Viagem à Nova York para vir aqui no Harlem e ouvir boa música em seu Jazz Club?”.

      “Sure! Toda segunda-feira e terça-feira há também um atendente italiano que trabalha com a gente.” “E quando perguntado o qual o melhor dia para visitar o Paris Blues, Sam me respondeu sem hesitação”.

      "Tonight!"

      Eu tenho a impressão de que todas as noites são perfeitas para visitar Paris Blues.